Era quase dezembro, mês das manjedouras, dos nascimentos e dos renascimentos. No fundo ele sabia, mesmo com o frio e com o desconforto da umidade, que não estaria sozinho. Decerto, não teria animais esquentando sua chegada, nem sentiria o feno, aquecido, embalando seu sono. Todavia, sentiu proteção. Na certeza de que uma fração de segundo é eterna. Um olhar fraterno, imortal. A benevolência impregnada no próprio ar que respirava. Ao apurarmos os sentidos, podemos ouvir as trombetas. Um pouco mais atentos, repararemos multidões de cuidadores ao seu redor.
Com certeza, Ele sabia, a notícia da sua chegada se espalharia pelos quatro cantos do mundo, com comentários de admiração nas mais distantes vilas e cidades. Homens paramentados, e também os mais simples, o ergueriam como herói de um tempo no qual são necessárias inspiração e singeleza para demolir o pessimismo, para eliminar a insensatez. Ele cumpria o seu papel com altivez, coragem e perseverança. Com a consciência de que o tempo que estaria entre nós poderia ser longo ou breve; repleto de episódios ou efêmero como a passagem de uma estrela. Sim, Ele era uma estrela que tocava o coração dos homens de bem; daqueles que tinham olhos de ver e ouvidos de ouvir. E até hoje aquele momento é lembrado como algo além da nossa compreensão, mas que nos emociona e nos oferece motivos para prosseguirmos. Confiantes e esperançosos.
(Crônica escrita pelo jornalista Manoel Fernandes Neto, editor dos boletins IVE, inspirada na imagem da Agência Estado, publicada no UOL e em notícia do G1. Se alguma imagem da esperança inspirou você, escreva, comente e envie para a redação do IVE:
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Novamente o texto dessa semana foi motivado por uma resposta ao texto da semana passada. Preocupou-me o fato de possivelmente ter passado a idéia de que devemos abrir mão de nossos bens materiais e nos dedicar apenas a práticas internas, pois como meu amigo me escreveu “Projetar a sua felicidade no acúmulo de bens é tão perverso e danoso quanto projetar sua felicidade na ausência de bens.”
Isso me lembrou a história de um discípulo de Buda, um rico príncipe, que vivia no máximo da opulência possível, que ao conhecer Gautama Buda pediu para segui-lo. Buda achou que seria improdutivo para este príncipe segui-lo, mas o príncipe prometeu ser o mais dedicado dos discípulos, e assim foi aceito. Entretanto, como Buda desconfiara, ao abandonar seu reino o príncipe compensou a opulência em que viveu até aquele momento buscando a mais absoluta miséria, ou seja, o príncipe foi de um extremo a outro.
Quando escolhemos o caminho do Ser, e abandonamos o Ter, é preciso ter o cuidado de não ir de um extremo a outro, é importante entender que valorizar o Ser não significa viver apenas com a roupa do corpo, e que morar numa boa casa, andar em carros luxuosos ou trocar de celular a cada seis meses não é necessariamente um pecado.
O fundamental é não cairmos na ilusão de que só conseguiremos ser pessoas melhores quando conquistarmos mais bens do que temos hoje. É isso que me preocupa tanto na busca do Ter. Quando conquistamos, com nosso esforço e dedicação, bons empregos que geram bons salários, não há nada de errado em aproveitarmos o que esse recurso pode nos proporcionar, mas devemos ter cuidado para não criar uma identificação tão grande com o que temos a ponto de não aceitar viver com menos caso a vida mude de rumos.
Vinte anos após a queda do muro de Berlim, pedaços da “Cortina de Ferro” podem se encontrados ao redor do mundo. Eles lembram a divisão e a reunificação da Alemanha. Veja a reportagem da Reuters. Narração: Daniela Paixão
Imagens inspiradoras - Bilhete para derrubar muros
01 de dezembro de 2009
Korea - North & South Korean Families Temporarily Reunite
“Queridas amigas
Tenho consciência de que foram momentos breves, mas que marcaram de forma indelével meu coração. Estamos juntas de novo, após 50 anos; mesmo por um período tão exíguo, me trouxe sabores da infância presentes em qualquer memória: o cheiro da chuva ao contato com a terra, a véspera de passeios que deixavam todas nós ansiosas de felicidade, nossos segredos de juventude. Confesso que já não esperava mais viver isto novamente.
São tantas as fronteiras ainda mantidas e erguidas entre corações que se amam, que só mantenho minha esperança em dias melhores, iguais a estes que vivemos, porque sei que um dia os muros caem. Vejam Berlim, parecia impossível e de uma hora para outra veio ao chão e hoje seus pedaços estão espalhados pelo mundo, para que não nos esqueçamos do que são capazes certas mentes doentias.
Mas não quero que este pequeno bilhete seja triste como as fronteiras que nos separam. Quero, mesmo, é manter este gosto das nossas risadas e momentos juntos. Tenho certeza de que esta alegria vai ganhar o mundo, e vai continuar inspirando pessoas a não desistirem de continuar a construir pontes que unam os contrários, os distantes, os diferentes e os que buscam a melhoria do nosso Planeta.
Sim, minhas amigas, mesmo depois de tudo o que passamos separadas, continuo uma otimista, porque tenho a convicção de que este sentimento não será em vão. E um dia – está próximo –, estaremos juntas novamente, sem nos lembrarmos do nome dos responsáveis por tudo isto. E esta é a melhor forma de nos mantermos unidas no amor: esquecer e relevar aquilo de mal que nos fazem.
Fiquem em Paz, fiquem bem.”
(Crônica escrita pelo jornalista Manoel Fernandes Neto, editor dos boletins IVE, inspirada pela imagem e notícia da AP, sugerida por Rosa Alegria. Se alguma imagem da esperança inspirou você, escreva, comente e envie para a redação do IVE:
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