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Blog IVE
Mídia que Constrói - Reflexões conscientes Imprimir E-mail
01 de dezembro de 2009
Ter ou Ser?



Novamente o texto dessa semana foi motivado por uma resposta ao texto da semana passada. Preocupou-me o fato de possivelmente ter passado a idéia de que devemos abrir mão de nossos bens materiais e nos dedicar apenas a práticas internas, pois como meu amigo me escreveu “Projetar a sua felicidade no acúmulo de bens é tão perverso e danoso quanto projetar sua felicidade na ausência de bens.”

Isso me lembrou a história de um discípulo de Buda, um rico príncipe, que vivia no máximo da opulência possível, que ao conhecer Gautama Buda pediu para segui-lo. Buda achou que seria improdutivo para este príncipe segui-lo, mas o príncipe prometeu ser o mais dedicado dos discípulos, e assim foi aceito. Entretanto, como Buda desconfiara, ao abandonar seu reino o príncipe compensou a opulência em que viveu até aquele momento buscando a mais absoluta miséria, ou seja, o príncipe foi de um extremo a outro.

Quando escolhemos o caminho do Ser, e abandonamos o Ter, é preciso ter o cuidado de não ir de um extremo a outro, é importante entender que valorizar o Ser não significa viver apenas com a roupa do corpo, e que morar numa boa casa, andar em carros luxuosos ou trocar de celular a cada seis meses não é necessariamente um pecado.

O fundamental é não cairmos na ilusão de que só conseguiremos ser pessoas melhores quando conquistarmos mais bens do que temos hoje. É isso que me preocupa tanto na busca do Ter. Quando conquistamos, com nosso esforço e dedicação, bons empregos que geram bons salários, não há nada de errado em aproveitarmos o que esse recurso pode nos proporcionar, mas devemos ter cuidado para não criar uma identificação tão grande com o que temos a ponto de não aceitar viver com menos caso a vida mude de rumos.


Ler o texto completo:


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Pedaços do muro de Berlim pelo mundo Imprimir E-mail
01 de dezembro de 2009
Vinte anos após a queda do muro de Berlim, pedaços da “Cortina de Ferro” podem se encontrados ao redor do mundo. Eles lembram a divisão e a reunificação da Alemanha. Veja a reportagem da Reuters.
Narração: Daniela Paixão





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Imagens inspiradoras - Bilhete para derrubar muros Imprimir E-mail
01 de dezembro de 2009


 Korea - North & South Korean Families Temporarily Reunite

“Queridas amigas

Tenho consciência de que foram momentos breves, mas que marcaram de forma indelével meu coração. Estamos juntas de novo, após 50 anos; mesmo por um período tão exíguo, me trouxe sabores da infância presentes em qualquer memória: o cheiro da chuva ao contato com a terra, a véspera de passeios que deixavam todas nós ansiosas de felicidade, nossos segredos de juventude. Confesso que já não esperava mais viver isto novamente.

São tantas as fronteiras ainda mantidas e erguidas entre corações que se amam, que só mantenho minha esperança em dias melhores, iguais a estes que vivemos, porque sei que um dia os muros caem. Vejam Berlim, parecia impossível e de uma hora para outra veio ao chão e hoje seus pedaços estão espalhados pelo mundo, para que não nos esqueçamos do que são capazes certas mentes doentias.

Mas não quero que este pequeno bilhete seja triste como as fronteiras que nos separam. Quero, mesmo, é manter este gosto das nossas risadas e momentos juntos. Tenho certeza de que esta alegria vai ganhar o mundo, e vai continuar inspirando pessoas a não desistirem de continuar a construir pontes que unam os contrários, os distantes, os diferentes e os que buscam a melhoria do nosso Planeta.

Sim, minhas amigas, mesmo depois de tudo o que passamos separadas, continuo uma otimista, porque tenho a convicção de que este sentimento não será em vão.  E um dia – está próximo –, estaremos juntas novamente, sem  nos lembrarmos do nome dos responsáveis por tudo isto. E esta é a melhor forma de nos mantermos unidas no amor: esquecer e relevar aquilo de mal que nos fazem.

Fiquem em Paz, fiquem bem.”


(Crônica escrita pelo jornalista Manoel Fernandes Neto, editor dos boletins IVE, inspirada pela imagem e notícia da AP, sugerida por Rosa Alegria. Se alguma imagem da esperança inspirou você, escreva, comente e envie para a redação do IVE: )



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Imagens Inspiradoras - A foto oficial Imprimir E-mail
01 de dezembro de 2009



Aquela mãe iraquiana teve dúvidas antes de abordar o soldado que fazia prontidão defronte à Casa de Detenção. Como solicitar ajuda para uma simples imagem, diante de alguém com responsabilidades tão rígidas? O uniforme, o fuzil último tipo, a pose incontinente.

Não era possível. Era quase certeza de que a resposta seria negativa. Aquela mãe iraquiana era capaz de compreender que aquele soldado estadunidense não ficaria sensibilizado sobre como fora agonizante a ausência do filho em casa. Sua companhia, suas palavras de apoio em um momento tão difícil pelo qual passava o país. Como os dois haviam estreitado sua ligação depois da guerra. O soldado, ela tinha razões para saber, não perderia seu tempo oficial para uma atitude daquelas. Ele não poderia compreender que o filho fora detido injustamente e que nenhum filho diante de uma mãe é culpado.

Mas os momentos da libertação foram se aproximando, a burocracia foi se dissipando, papéis eram verificados inúmeras vezes e ela ainda não havia se decidido a pedir ou não o favor para a foto que guardaria como um dos momentos mais felizes de sua vida, mesmo com todo o recente dissabor.

Tirou a máquina fotográfica que trazia guardada entre os trajes e em lugar seguro na sua casa. Ela a utilizava para registrar os momentos felizes que encontrava no dia a dia, mesmo diante de toda a destruição. Aquela mãe iraquiana tinha plena convicção de que o sofrimento um dia cessaria, por que sabia que sofrimentos um dia acabam; que as lágrimas um dia param de cair; que a saudade e a dor são provisórias. Sim, naquele dia da libertação do filho ela tinha plena certeza de que a dor e a melancolia não são sentimentos permanentes, mas breves manifestações do Universo, para nos proporcionar crescimento, aprendizado e progresso.

E foi com esta certeza no coração que viu o filho surgir na porta da prisão. Livre como fora educado numa rua simples de Bagdá. Livre na certeza de continuar a seu lado, acreditando em um País em Paz e Harmonia. Mais alguns passos e lá estava ela nos braços dele, que a acolheram, a consolaram e apaziguaram seu coração de mãe que nada mais lembrava naquele instante, que mal compreendera os gestos em sua direção vindos daquele soldado que apontava para a sua máquina, esquecida em uma de suas mãos.

Foram dois ou três cliques que ela jamais vai esquecer. Foram dois ou três cliques enquanto ela ainda abraçava o filho. Foram dois ou três cliques que eternizaram, em uma única imagem, a falta que o filho lhe fez.

Hoje, quando olha a foto na cabeceira da sua cama, ela é só agradecimento pelo autor da imagem, um soldado do qual ela não teve tempo nem de descobrir o nome; ah, sim, com certeza, ele deve ter filhos, família, saudade.

Um soldado que deve saber a importância de uma imagem dessas para uma mãe, seja qual for a nacionalidade, a religião ou o contexto.

Ela tem essa certeza enquanto admira a foto oficial da liberdade de seu filho, exposta na cabeceira da cama.

(Crônica escrita pelo jornalista Manoel Fernandes Neto, editor dos boletins IVE, inspirada pela imagem da Reuters, publicada no UOL Notícias, em 12 de setembro de 2009. Se alguma imagem da esperança inspirou você, escreva, comente e envie para a redação do IVE,   )

 

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