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Os segredos do pensamento positivo |
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25 de agosto de 2007 |
 | Bem-estar Por Suzana Herculano-Houzel Visualizar-se
bem, imaginar tudo dando certo, atrair apenas coisas boas... A onda do
pensamento positivo que se propaga há algum tempo na literatura de
auto-ajuda chegou recentemente a um novo ápice: a proposta de que basta
pensar no seu objetivo com muita convicção e você andará sobre a água,
enriquecerá rapidamente e até fará com que um colar de diamantes se
materialize em seu pescoço. |
O sucesso do filme "Quem Somos Nós", que defende que a realidade física
do mundo é criada pelo pensamento, abriu as portas -e a mente do
público- para os escritores que faturam alto ensinando como alcançar
tudo com o pensamento. Ser otimista e pensar positivamente em
nossos objetivos são realmente estratégias altamente eficazes. O
otimismo, que é a interpretação favorável dos resultados da vida e de
nossas expectativas, é de fato um ótimo pontapé inicial para o
bem-estar. O otimismo nos leva à sensação antecipada de sucesso
oferecida pelo sistema de recompensa do cérebro ao se visualizar
bem-sucedido, uma grande motivação para agirmos. Por isso, o derrotismo
não leva a nada: que motivação seu cérebro pode encontrar para fazer o
que ele espera que dê errado?
No entanto, por mais que se
imagine um colar de diamantes ao redor do pescoço, ele não aparecerá
ali sozinho. O cérebro constrói sua representação da realidade do corpo
e dos objetos externos a ele e trabalha com essas representações. Nesse
sentido, a realidade mental é de fato criada -mas de acordo com uma
realidade física que resiste impávida ante os nossos pensamentos. Por
isso, os delírios e alucinações são perigosos: como realidades criadas
pelo cérebro sem nenhum apoio no mundo real, levam o cérebro a agir de
maneira desajustada, incompatível com a realidade do mundo e das outras
pessoas.
Portanto, por mais que se pense com otimismo em
ganhar dinheiro ou colares de diamantes, eles não chegarão sozinhos
pelo correio apenas pela força do seu pensamento. Não basta pensar: é
preciso agir sobre o mundo e usar o cérebro para mudar a realidade
física por meio de nossas ações.
Se o alerta sobre os limites
do pensamento positivo soa pessimista, pense de novo. Uma descoberta
importante da neurociência é que receber um prêmio ou dinheiro sem
fazer força pode até ser bom, mas não é nada que se compare ao prazer
de conquistá-lo à força do nosso próprio suor. O cérebro gosta de ter
trabalho e de ser recompensado por isso. Segredo mesmo é fazer para
então merecer.
Suzana Herculano-Houzel, neurocientista,
é professora da UFRJ e autora dos livros "O Cérebro Nosso de Cada Dia"
e "Sexo, Drogas, Rock'n'Roll & Chocolate" (ed. Vieira & Lent). Fonte: Folha de São Paulo
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Última Atualização ( 25 de agosto de 2007 )
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